Revista Edição Especial

Revista da Ciência da Administração

Versão eletrônica, edição especial, dezembro de 2016


Artigos.

  1. CHAVEIRISMO: GESTÃO PARALELA NAS UNIDADES PRISIONAIS DE PERNAMBUCO
  2. A IMPORTÂNCIA DO MARKETING NA VENDA DE FÚNEBRE
  3. OCUPE ESTELITA ENQUANTO NOVO MOVIMENTO SOCIAL CONDUZINDO À GESTÃO PÚBLICA SOCIETAL
  4. POLÍTICAS PÚBLICAS DE COMBATE A INCÊNDIOS E SALVAMENTO VERSUS DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: PANORAMA PERNAMBUCANO

 

EDITORIAL

EDIÇÃO ESPECIAL

Neste final de ano apresentamos, com a intenção de se tornar uma prática regular, a edição especial da “Revista da ciência da administração da FCAP”, cuja primeira publicação versa sobre gestões públicas em lugares incomuns da cidade. Tal lançamento se junta às comemorações plenas de significados como um dos eventos ilustrativos dos 60 anos do curso de Administração desta instituição, celebrado em 29 de novembro de 2016.

Este aniversário representa a conjunção de esforços, simetria, remitência e harmonia. Esta edição especial, por sua vez, visa difundir, em época tão significativa, conhecimentos na área de Administração, repensando o desenvolvimento sustentável do Estado de Pernambuco e do Nordeste, sem perder a perspectiva de sua inserção no mundo, uma vez que a separação por fronteiras está, cada vez mais, sendo substituída pela avançada tecnologia que aproxima setores empresariais e junta pessoas em torno de objetivos comuns.

José Carlos Ramos, com a sua experiência de oficial da Polícia Militar de Pernambuco aliada à de jornalista e à de pesquisador, em parceria com a professora doutora Theresa Frazão, desvenda as particularidades da gestão prisional do Estado e o quanto elas representam como grande desafio por envolver questões que subvertem a legalidade na gestão pública e desrespeitam os princípios da Lei de Execução Penal. Enfoca no seu artigo os meandros e expõe as mazelas representadas pelo “Chaveirismo”, como gestão paralela nas unidades prisionais de Pernambuco. A pesquisa destaca a inoperância do Estado quando compartilha, delega e terceiriza responsabilidades da gestão pública a quem deveria ser vigiado e atendido por essa administração.

Daniela Rodrigues Gonzalez, pós-graduada em Planejamento e Gestão Organizacional, aborda um assunto inusitado, muitas vezes visto como algo mórbido e sobre o qual as pessoas preferem silenciar, ou seja, o ritual da morte. Os elementos da pesquisa histórica examinados por ela refletem mudanças comportamentais que vão, desde os ritos fúnebres em torno de um cenário que levava à ocultação do corpo do morto por meio da mortalha ou esquife, até os dias atuais em que são oferecidas cerimônias cada vez mais bem planejadas. Seu artigo identifica como incipientes os dados anteriores voltados à administração de empresas em organizações funerárias. Fruto de sua prática profissional e da pesquisa realizada, ela apresenta, então, resultados que são de grande valia para aqueles que atuam na área de planejamento e gestão organizacional e em especial na área de vendas voltada para serviços funerários.

O movimento popular Ocupe Estelita que mobilizou grande parte da população do Recife foi analisado por Tainã Gomes Barbosa dos Santos, com a colaboração de José Luiz Alves, professor doutor, a partir de dados bibliográficos e em trechos publicados por integrantes dessa organização social. Registra a leitura societal, contendo as críticas que o Ocupe Estelita faz à gestão pública municipal da Cidade do Recife. No caso concreto do Ocupe Estelita, aponta a estreita simbiose do poder público com a iniciativa privada como a base propulsora do movimento. O reconhecimento das amarras estruturais tecidas pela influência do capital sobre a dimensão pública é o pano de fundo sobre o qual se erige a denúncia aos efeitos perniciosos desta relação para a democracia. Esta denúncia se justapõe aos dois fatores da dimensão identitária dos Novos Movimentos Sociais: o estrutural, quando o Ocupe Estelita busca a democratização das instâncias públicas através da contestação da lógica capitalista que torna permissiva a apropriação do público pelo privado devido à conjunção do exercício político de integrantes da Câmara de Vereadores do Recife aos interesses das empreiteiras que lhes recompensam e financiam.

O artigo de Cristiano Corrêa, Ivo Vasconcelos Pedrosa e José Jéferson Rêgo e Silva, examina as relações entre “Serviços de Combate a Incêndios e Salvamento e o Desenvolvimento Sustentável” tomando por base o Estado de Pernambuco. Apresenta uma síntese da política pública como concretização de uma intenção política alicerçada em demandas sociais, a partir do que preceitua a Constituição de 1988, em vigência o Brasil. Registra e relaciona a responsabilidade pela implementação e manutenção dos serviços de combate a incêndios e salvamento como um item decisivo na promoção do desenvolvimento sustentável, ao mesmo tempo em que faz a análise da questão orçamentária nas várias esferas do poder, indispensável à efetivação das políticas públicas.

Dessa forma, colocamos à disposição dos nossos leitores uma seleção de artigos que fogem ao senso comum e significam uma tentativa de dar espaço e voz a textos inusitados porque o assunto é desconhecido ou é pouco abordado. Ou porque incomodam pela própria existência e despertam desconforto como a função de “chaveiro”, por exemplo, ou a necessidade de planejar o velório, sepultamento ou cremação de alguém, a se lidar com a morte, certeza inevitável e real.

Recife, dezembro  de 2016

Theresa Frazão, jornalista/membro do corpo editorial